
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), manteve na tarde desta quinta-feira (21/11) o acordo de colaboração premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL).
Moraes conduziu o interrogatório de Cid, ouviu sua argumentação e decidiu manter a delação após três horas de audiência.
“O ministro considerou que o colaborador esclareceu as omissões e contradições apontadas pela Polícia Federal. As informações do colaborador seguem sob apuração das autoridades competentes”, disse o gabinete do ministro em nota.
Cid foi questionado sobre por que não comentou com os investigadores sobre o plano do general da reserva Mário Fernandes de matar o presidente Lula (PT), o vice, Geraldo Alckmin (PSB), e Moraes no fim de 2022.
Na saída da audiência, o advogado Cezar Bitencourt, defensor de Cid, deu uma declaração dúbia. Ele disse que o militar tinha apresentado “complementos”, mas depois afirmou que Cid tinha “repetido as mesmas coisas que já tinham sido ditas”.
Sobre a manutenção do acordo de colaboração premiada, Bitencourt disse que “está mantido tudo como dantes no quartel de Abrantes”. “[Moraes considerou a audiência] Positiva, tanto que deu as condições que a gente quis”, completou.
A audiência desta terça também marcou uma mudança de postura da PGR (Procuradoria-Geral da República) nas discussões sobre a validade da delação de Mauro Cid. Paulo Gonet, chefe do órgão, defendeu ao Supremo que a delação fosse mantida, evitando-se a prisão de Cid, diante dos esclarecimentos prestados pelo militar.
Augusto Aras, antecessor de Gonet, era contra a delação. Ele defendeu ao STF que acordos de colaboração premiada fechados entre o delator e a PF, sem participação do MPF (Ministério Público Federal), não deveriam ser homologados.
A Polícia Federal havia citado outras omissões e contradições nos depoimentos prestados pelo militar nas investigações sobre os planos golpistas elaborados no fim do governo Bolsonaro.
Folhapress





