
Três ministros do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pegaram carona em avião da FAB (Força Aérea Brasileira) duas horas depois de a Corte declarar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) inelegível.
Alexandre de Moraes, presidente da Corte, Floriano Marques e André Ramos Tavares entraram em voo de Brasília para São Paulo requisitado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad e pelo Ministério da Defesa.
O horário de partida do voo que consta nos registros da FAB é 16h25 de 30 de junho. A sessão em que os ministros condenaram Bolsonaro foi encerrada às 14h37.
O voo é um dos 14 em que ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) constam como acompanhantes de ministros em jatos da FAB no 1º semestre de 2023. A política de “boa vizinhança” com os ministros contrasta com o que se passou durante o governo Bolsonaro. De 2019 a 2022 foram identificadas 10 caronas dadas a juízes do Supremo. É menos do que nos primeiros 6 meses do atual governo.
Não há ilegalidade nos voos. Há dispositivos no decreto presidencial que disciplina o assunto que permitem esse tipo de carona. Os registros de acompanhantes, no entanto, não são divulgados ativamente pela FAB. Foram necessários 37 pedidos de Lei de Acesso à Informação, além de recursos em diversas instâncias, para obter os dados desta reportagem.
Em geral, os ministérios demoram a informar, informam de modo incompleto ou até se negam a fornecer os documentos. Foi o caso do Ministério da Defesa, que desrespeitou as leis que obrigam o órgão a prestar as informações. Por isso, é possível que existam mais trechos voados por ministros do STF que não estão contemplados neste levantamento.
Poder360





