17/09/2026

Lula volta à ONU com questionamentos à governança multilateral e defesa do Sul global

Com um discurso focado no resgate da agenda dos países em desenvolvimento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltará a abrir a Assembleia Geral da ONU, na próxima terça-feira (19/9), 14 anos depois de discursar na sede das Nações Unidas, em Nova York, pela última vez. Lula aproveitará o mote de que o Brasil está de volta ao cenário internacional para criticar o atual sistema de governança, que permite, na sua visão, que o lado desenvolvido do planeta afaste das grandes decisões o chamado Sul Global.

O retorno de Lula ao palco multilateral já se desenhava cheio antes mesmo da chegada do presidente à Nova York. O governo brasileiro recebeu mais de 50 pedidos de encontros bilaterais, um deles já confirmado com o presidente americano, Joe Biden.

Para o governo brasileiro, não haverá palco melhor para Lula do que a Assembleia Geral para voltar a insistir na presença de outros países, como o Brasil, como membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU — desejo que existe desde a fundação do organismo, em meados da década de 1940. Um dos argumentos a serem usados por Lula é que, mais de um ano e meio após a invasão da Ucrânia pela Rússia, o órgão fracassou na busca de soluções para a paz.

Além disso, essa nova governança global defendida no discurso do presidente brasileiro seria ligada à ONU e teria o poder de forçar países a cumprir, por exemplo, metas de combate ao aquecimento global. Hoje, nenhum Estado ou organismo internacional pode forçar um país a cumprir ordens ou medidas. Uma tentativa ou interferência pode ser vista como violação à soberania nacional.

Lula trabalhará em seu discurso com outros pilares já anunciados por ele, ao assumir a presidência do G20, no último fim de semana, na Índia: uma ação global de combate à fome, a redução das desigualdades e o desenvolvimento econômico sustentável, baseado em aspectos não apenas econômicos, mas ambientais e sociais.

O último discurso de Lula na ONU foi em 2009. No ano seguinte, coube ao então chanceler Celso Amorim abrir o evento.

Na época, Lula pediu maior comprometimento da ONU com as questões globais, como o crescimento da África, os direitos humanos e o combate ao desarmamento e proliferação nuclear. O mundo vivia uma grave crise financeira e Lula afirmou que seria uma “omissão histórica imperdoável” se os países cuidassem apenas das consequências, sem enfrentar as causas.
O Globo

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