
O presidente Lula (PT) disse neste domingo (22/9) que o atual ritmo de implementação das metas de desenvolvimento sustentável acordadas pela ONU caminha para ser um fracasso coletivo.
O brasileiro fez um breve discurso em Nova York na Cúpula do Futuro, iniciativa lançada pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, para tentar costurar compromissos dos governos em áreas como clima, inteligência artificial e governança global.
Em sua fala, Lula defendeu a reestruturação dos principais órgãos multilaterais para que eles reflitam a importância atual do autodenominado Sul Global, termo não oficial usado para se referir a nações em desenvolvimento.
Com o tempo rigidamente cronometrado, o microfone de Lula foi desligado quando ele excedeu os cinco minutos a que tinha direito. Ele continuou discursando até concluir a leitura de seu pronunciamento.
“Voltar atrás em nossos compromissos é colocar em xeque tudo o que construímos tão arduamente. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável foram o maior empreendimento diplomático dos últimos anos e caminham para se tornar nosso maior fracasso coletivo. No ritmo atual de implementação, apenas 17% das metas da Agenda 2030 serão atingidas dentro do prazo”, disse o presidente brasileiro, em referência às 17 metas adotadas na ONU em 2015 para promover a sustentabilidade, erradicar a pobreza e proteger o planeta até o final da década.
Nenhum chefe de Estado dos países membros permanentes do Conselho de Segurança, no entanto, estava no evento. Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido estavam representados por ministros —o que dá força ao questionamento sobre a efetividade do encontro.
Pouco antes do discurso de Lula, um dos primeiros líderes a falar, a delegação da Rússia defendeu a adoção de uma emenda que dizia que a ONU deveria se abster de intervir em assuntos que são essencialmente domésticos.
No final, os países a favor do pacto articularam uma votação para impedir que a emenda russa fosse considerada, mas a divergência aberta por Moscou deixou evidente as divisões existentes e enfraqueceu o documento adotado no final.
Folhapress





