
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou por volta das 16h (11h em Brasília) deste domingo (16) a Bruxelas, na Bélgica, onde irá participar da terceira cúpula Celac-UE, ou UE-Celac, como preferem os europeus.
O encontro, que se estende pela segunda e terça-feira, receberá líderes de 60 países, 33 da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos e 27 dos países da União Europeia.
Estão programadas discussões para fortalecer a parceria comercial entre os países, discutir trabalhos conjuntos para alcançar as transições ecológicas e digitais justas e demonstrar um compromisso compartilhado de defender a ordem internacional.
Mas Lula tem uma missão extra no evento: convencer os políticos europeus a assinarem os últimos detalhes do acordo do Mercosul com a União Europeia, que atualmente esbarra em divergências na área ambiental.
O acordo não faz parte da agenda da cúpula. Mas o que se espera é o comprometimento político de que seja finalizado até o fim do ano, já que em 2024 haverá eleições no Parlamento europeu e os deputados terão outras preocupações imediatas.
Gaziano Messana, presidente da Eurocâmaras — organização no Brasil que reúne as câmaras de comércio dos países-membros da UE —, diz à Folha que alguma negociação sobre o acordo deve acontecer durante o evento, mesmo porque há um certo consenso de que “é agora ou nunca”.
“Ou sai agora, no final de 2023, com boa chance, ou não sai mais. Ou seja, esquentou muito a discussão”, afirma. “E não há um sentimento de negatividade. O sentimento é de finalizar esse acordo antes do fim do ano”, completa.
A primeira agenda de Lula na terceira Celac-UE será provavelmente a mais importante. Às 9h desta segunda, ele irá se encontrar com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e a expectativa é que o Mercosul seja o assunto da reunião. Em seguida, o presidente participará da abertura do fórum empresarial do evento.
Antes do almoço, Lula terá mais duas reuniões bilaterais, a primeira com a primeira-ministra de Barbados, Mia Mottley, e a segunda com o rei Filipe da Bélgica ao lado do primeiro-ministro do país, Alexander de Croo.
Às 15h, Lula se reunirá com a presidente do Parlamento europeu e, uma hora mais tarde, estará presente à sessão de abertura oficial da cúpula. Às 19h, ele participa de uma recepção seguida por um jantar de gala.
Na terça-feira, estão programados quatro eventos. O primeiro é um café da manhã com lideranças de partidos progressistas. Às 9h30, haverá uma sessão plenária da cúpula e, às 10h30, uma bilateral com a Suécia. Por fim, às 15h15, Lula se encontrará com a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen.
Para as 8h30 de quarta-feira (19), está programada a única entrevista oficial que o presidente Lula dará a jornalistas em terras belgas.
Negociado oficialmente desde 1999, o acordo geral entre UE e Mercosul foi concluído em 2019, mas ainda não foi ratificado. As negociações finais vêm esbarrando em divergências na área ambiental. Esse é um ponto central na política e na economia da UE atualmente, que vem, por exemplo, aprovando leis para impedir que países do bloco comprem produtos oriundos de desmatamento na Amazônia e outras florestas tropicais.
Folhapress





