17/09/2026

Hacker na CPI liga Bolsonaro a grampo em Moraes e plano para forjar ataque a urnas.

O programador Walter Delgatti Neto, conhecido como hacker da Vaza Jato, disse nesta quinta-feira (17/8) à CPI do 8 de janeiro que a campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) planejou forjar a invasão de uma urna eletrônica durante as celebrações do 7 de Setembro de 2022, menos de 1 mês antes da eleição.

O hacker disse ainda que, em outra data, Bolsonaro teria pedido para ele assumir a autoria de um grampo de conversas de Alexandre de Moraes, ministro do STF (Supremo Tribunal Federal).

Delgatti afirma que aceitou o pedido, feito pelo ex-presidente em telefonema mediado pela deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), mas que nunca teve acesso a esse suposto grampo do ministro.

Bolsonaro foi recentemente condenado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) por mentiras e ataques ao sistema eleitoral, ficando assim inelegível pelos próximos oito anos, e ainda enfrenta uma série de ações na Justiça, como a suspeita de responsabilidade nos ataques golpistas do 8 de janeiro.

Na CPI, sobre esse alegado plano sobre urnas eletrônicas, o hacker afirmou que usaria um “código-fonte fake”, feito por ele mesmo, para mostrar que uma urna poderia registrar um voto diferente daquele que o eleitor queria.

Delgatti, que ganhou projeção por ter invadido contas de Telegram de procuradores da Lava Jato em 2019, disse que levou o plano a Bolsonaro durante reunião no Palácio da Alvorada, em 10 de agosto do ano passado, portanto já no período da campanha eleitoral.

O ex-presidente então teria pedido para o hacker que conversasse com técnicos do Ministério da Defesa sobre o sistema eleitoral. “Ele [Bolsonaro] também pediu que eu fizesse o que eu havia dito sobre o 7 de Setembro”, disse o programador à CPI.

Sobre o grampo relacionado a Moraes, o hacker disse: “Ele [Bolsonaro] disse que o grampo fora realizado por agentes de outro país. Não sei se é verdade, não tive acesso a ele”.

O hacker afirmou à CPI que Bolsonaro chegou a prometer a ele um perdão presidencial de condenações aplicadas pela Justiça a Delgatti.

Delgatti foi convocado à CPI como testemunha para explicar se participou de tentativas, a pedido de Zambelli, de deslegitimar o sistema eleitoral brasileiro. Ele afirmou que o plano não saiu do papel após a imprensa noticiar os encontros com a equipe de campanha de Bolsonaro.

No dia anterior ao depoimento à comissão, o programador foi ouvido pela Polícia Federal. A defesa de Delgatti afirma que ele apresentou provas de que recebeu pagamentos de Zambelli.
Folhapress

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