17/09/2026

Facção alvo de operação ordenava ataques contra policiais na Baixada Santista

Uma investigação conjunta envolvendo a Polícia Civil e o Ministério Público desvendou o envolvimento de uma organização criminosa que ordenava o assassinato de policiais da ativa e da reserva em Guarujá, no litoral de São Paulo.

O bando ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) tentava instalar uma milícia na região para oferecer “segurança” aos comerciantes mediante pagamentos mensais. Por meio de ameaças e ataques a lojas e comércios, os criminosos forçavam os empresários a desistirem de contratar seguranças particulares, na maioria das vezes policiais aposentados, para obter o serviço da organização criminosa.

A polícia identificou que o líder da quadrilha, que figurava entre o alto escalão do PCC, comandava o tráfico de drogas e de armas em uma comunidade na região de Vicente de Carvalho. Ainda em 2022, conforme as apurações, ele foi ao Rio de Janeiro para obter informações para implementar a milícia em bairros de Guarujá.

Desde então, o bando passou a atuar com vigilantes contratados a fim de obter o monopólio da segurança de comércios de Guarujá. Além disso, desencadeou uma onda de homicídios contra policiais e agentes de segurança que já trabalhavam nesses locais como seguranças particulares. Para isso, organizou roubos e ataques contra estabelecimentos para ameaçar os comerciantes.

Há suspeitas de que houve um “acordo” entre políticos e a liderança criminosa para conter a violência na região na época. O fato corroborou o envolvimento do bando em licitações fraudulentas na Câmara de Vereadores e na Prefeitura do município.

O avanço das investigações mostrou que o criminoso, proprietário de uma empresa de limpeza, venceu uma licitação com indícios de fraude da prefeitura de Guarujá para prestação de serviços em órgãos públicos. Em dois anos, o contrato gerou R$ 26,9 milhões à organização criminosa. Em março deste ano, o líder da milícia foi morto num ataque a tiros no município.

Operação Hereditas

Nesta terça-feira (1º/10), as Polícias Civil, Militar e o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) deflagraram uma operação para desarticular as ramificações da milícia. A Justiça autorizou o cumprimento de 26 mandados de busca e apreensão em cidades da Baixada Santista — Guarujá, Cubatão, Praia Grande, Santos e São Vicente — e na capital paulista.

No decorrer das investigações, foi descoberto um suposto favorecimento de agentes públicos com o recebimento de propinas para viabilizar as fraudes. Os materiais apreendidos durante as buscas serão analisados como parte das investigações para identificar o envolvimento de agentes públicos.

Participam das buscas integrantes do Ministério Público, 76 policiais militares do Comando de Policiamento de Choque (Rota, COE e GATE) e 50 policiais civis da Delegacia Seccional de Praia Grande e do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope).

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