
Os 47 fuzis apreendidos pela Polícia Federal, na última terça-feira (10/10), em uma mansão na Barra da Tijuca, são ínfimos perto do total dessas armas no estado, estipulado pelo antropólogo Paulo Storani em 28 mil.
Como referência, ele usa um relatório da Subsecretaria de Integração e Planejamento Operacional, da Polícia Civil, em resposta ao Supremo Tribunal Federal (STF) na ADPF das Favelas, que estabelece regras para incursões em comunidades. O documento calcula que haja 56 mil traficantes e milicianos no estado — ou seja, cada arma poderia ser manuseada por dois criminosos, em revezamento.
— Para o bem ou para o mal, o Rio revela tendências, que depois são reproduzidas no resto do país. Um exemplo disso é o crescimento da violência e de confrontos na Bahia, que lembram muito como o crime era no Rio nos anos 1990 — disse Storani, que não vê no aumento de efetivo policial a saída para o problema.
As guerras entre bandos rivais se espalham pelo estado, que vem sendo inundado por uma enxurrada de fuzis clandestinos. Uma estatística consolidada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), antecipada pelo colunista do GLOBO Ancelmo Gois, mostra que o Rio se tornou um “paiol” da criminalidade.
De janeiro a agosto deste ano, foram apreendidas 472 dessas armas de guerra no estado — isso representa mais da metade de todos os registros feitos no país. Para especialistas, a fragmentação das quadrilhas do tráfico e da milícia estão por trás desses números.
— Guardadas as devidas proporções, é a mesma situação que observamos em guerras, nas quais países vizinhos que vivem em conflito se armam para defender seus territórios — avalia a economista e professora da Fundação Getulio Vargas (FGV) Joana Monteiro, que já presidiu o Instituto de Segurança Pública (ISP), responsável por analisar os dados da violência no estado. — O caminho para impedir que armas cheguem a criminosos é focar em ações de inteligência.
O Globo





