
(Da Redação) A última pesquisa eleitoral para candidato a prefeito na cidade de São Sebastião, foi “realizada” pela QUALITY PESQUISAS E ASSESSORIA EMPRESARIAL EIRELI – ME (CNPJ: 26195312000191), entre os dias 19 e 21 de agosto de 2024, segundo o instituto. O trabalho foi contratado pela VS PUBLICIDADE LTDA (CNPJ: 96499132000189) e, segundo os mesmos, “os recursos utilizados para sua realização foram provenientes de terceiros, conforme registrado.”
A “Quality Pesquisas” tem sede em São Paulo, capital, no bairro de Higienópolis (foto). Já a contratante da Quality, a “VS Publicidade” tem sede no Centro da cidade de Osasco, na Grande São Paulo.
O curioso disso tudo, é que a primeira pesquisa divulgada em São Sebastião, veio de uma empresa denominada “Vitória Comunicação e Assessoria Empresarial”, com laços bastante estreitos com a Quality. Tudo em família. Com resultados que colocam o professor GLEIVISON GASPAR, como vencedor disparado em todas elas. Explicaremos melhor na sequência.
No cenário nacional, político, eleitoral e judiciário, essas empresas tem grandes problemas e pendências. São consideradas “duvidosas”, exibem resultados “estranhos e desproporcionais” e trabalham com margens de erro que confundem o eleitor e se eximem “de possíveis erros nas urnas.” O número de indecisos e votos brancos raramente é citado e, quando ocorre, sempre ao final de suas publicações. Tática para confundir e enganar o eleitor.
Resumindo: são empresas contratadas a longas distâncias, mas que tem laços estreitos. Ou se preferirem, um emaranhado de laços difíceis de se confiar e acreditar. Ainda que algumas pesquisas, de um total de milhares, sejam registradas no TSE, os resultados produzidos prejudicam e muito as cidades e os eleitores envolvidos.
Vamos à história dessas empresas que se juntam a outras em uma grande confraria de “fabricação e manipulação de pesquisas eleitorais.”
ESQUEMA DE DÉCADAS
Durante as últimas décadas, um grupo de cinco institutos de pesquisa falsificou centenas de pesquisas eleitorais por todo o estado de São Paulo.
No esquema, candidatos de pequenas cidades, contratavam os institutos para a “prestação de serviços de consultoria”. Mas em vez de cumprir esses contratos, as empresas produziam pesquisas falsas que previam vitórias por amplas margens dos candidatos envolvidos no arranjo.
A prática não é recente: os donos desses institutos acumulam condenações na Justiça Eleitoral desde 1998, e devem milhares de reais ao governo em multas por crimes eleitorais. No entanto, nada disso impediu que o esquema continuasse prosperando: nas últimas eleições, essas empresas responderam por mais de um quarto das pesquisas eleitorais registradas em todo o estado de São Paulo.
Através de dados do Tribunal Superior Eleitoral e de processos em curso na Justiça, analisamos a atuação desses institutos nos últimos anos. A seguir, mostramos os detalhes de como eles falsificavam pesquisas – e de como as instituições brasileiras falham ao punir quem produz pesquisas eleitorais fraudulentas.
UM POR TODOS, TODOS POR UM
A segunda empresa que mais registrou pesquisas no Brasil entre 2012 e 2018 foi o “Instituto Realidade”, sediado em Presidente Prudente (SP). Nesse período, o “Realidade” declarou ter realizado 713 pesquisas, perdendo somente para o Ibope, o maior instituto de pesquisas do país até então, que registrou 1.474 sondagens. Já o Datafolha, outro instituto grande, registrou 252 pesquisas no período.
Apesar do grande número de pesquisas, contratar o “Instituto Realidade” não é uma tarefa fácil. O telefone disponível no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) é dado como inexistente, e o endereço de sua sede aponta para uma casa em um bairro residencial.
Só tivemos algum resultado quando pesquisamos pelos sócios do instituto, Otílio Claudino de Araújo Júnior e Rose Mary Moreno de Araújo — casados até 2015.
Procurando informações dos sócios nos arquivos do Judiciário, segundo o Ministério Público, Otílio já foi alvo de ao menos 29 investigações por crimes comuns e 5 por crimes eleitorais; enquanto Rose foi objeto de ao menos 4 investigações por crimes comuns e 5 por crimes eleitorais.
Os processos judiciais apontam que Otílio e Rose realizaram pesquisas eleitorais – tanto a partir do “Instituto Realidade”, quanto do “Instituto Full Marketing e Pesquisas”, outra empresa da qual ambos são sócios. Além dessas duas firmas, Rose Moreno também é proprietária de um terceiro instituto: a “Consult Pesquisa”. Não bastasse, a atual esposa de Otílio, Simone Marvulle de Araújo, é proprietária de um quarto instituto: a “Vitória Comunicação e Assessoria Empresarial”, que realizou a primeira pesquisa fraudulenta em São Sebastião nesse ano de 2024 e rendeu multa de R$ 53.205,00 a um veículo local por sua divulgação, em sentença já proferida “por transmissão de dados irreais, incorretos, desprezando percentual da população indecisa, o que interfere no equilíbrio da disputa.” A sentença é assinada pelo juíz Vítor Hugo Aquino de Oliveira, da 132° Zona Eleitoral de São Sebastião.
Voltando aos “institutos da mesma família”, existe ainda um quinto instituto que atuava, quase sempre, nas mesmas cidades que Otílio e Rose: o “Instituto Quality”. BINGO!!!! O mesmo da pesquisa mais recente de São Sebastião.
Embora a sede da empresa seja em São Paulo, como já dissemos, o seu proprietário, Emerson Bezerra Oliveira, também é de Presidente Prudente. Emerson, aliás, consta como testemunha de Rose em um processo contra Otílio, logo após a separação do casal.
Somados, os cinco institutos registraram mais de MIL PESQUISAS, de 2012 para cá, em mais de 170 cidades diferentes.
MANIPULANDO A MASSA
O controle de cinco empresas de pesquisa pelo grupo de Presidente Prudente não era por acaso. Isso permitia que o grupo desse mais credibilidade aos seus resultados – afinal, é mais fácil confiar em muitos institutos do que em um só.
Os muitos institutos sob o controle de Otílio e Rose também ajudam o grupo a renovar a sua reputação. Um exemplo são as eleições de 2016 em Bady Bassitt (SP). Um jornal da região chamou atenção para o histórico duvidoso do “Instituto Realidade”. Mas a redação pouco questionou a credibilidade da “Vitória Comunicação” ao divulgar as suas pesquisas.
A estratégia de registrar pesquisas com mais de uma empresa se repete em outros municípios: das 218 cidades onde o Otílio e Rose operavam, 86 tinham a presença de mais de uma empresa do grupo.
PESQUISAS FALSAS
Duas semanas antes da eleição de Presidente Epitácio (SP) no ano de 2012, o “Instituto Realidade” divulgou pesquisa atribuindo liderança ao prefeito Mané da Brahma, com 37% dos votos, e indicou que o segundo colocado seria Picucha, com 32% – o que levaria a um segundo turno.
O resultado apontado pelas urnas, no entanto, foi bem diferente: Picucha ganhou no primeiro turno, com 54% dos votos totais, enquanto Mané da Brahma ficou em segundo, com 34%.
Erros como esse são comuns para o grupo de Presidente Prudente. Entre as pesquisas produzidas pelas empresas de Otílio e Rose a menos de três semanas das eleições, o erro médio foi de 9,8 pontos percentuais.
SÃO SEBASTIÃO
A cidade de São Sebastião, ao que tudo indica, parece agora, ser o alvo do grupo de institutos com outra “pequena grande coincidência”: TODAS AS PESQUISAS APONTAM O CANDIDATO PROFESSOR GLEIVISON GASPAR com ampla vantagem e favoritismo absoluto.
Que os eleitores não se deixem levar “pelo QUALITY e VITÓRIA COMUNICAÇÃO” que espalham desinformação de forma descarada e irresponsável.
*Da Redação com sites de notícias e agências





