17/09/2026

Em meio a lixo e desalojados, gaúchos tentam retomar vida pós-enchente


Na terceira semana pós-enchente, escolas, universidades, entidades, empresas e clubes que acomodaram desabrigados gaúchos começam a desmobilizar os locais de acolhimento, na tentativa de retomar suas rotinas.

A volta à normalidade mostra-se desafiadora, visto que muitos perderam suas casas. Soma-se a isso o trabalho de limpar residências e ruas, que estão tomadas por entulho.

Com muitas incertezas no horizonte, a população busca recriar hábitos, ciente de que deverá ressignificar dinâmicas de vida para enfrentar os prejuízos da catástrofe. Assim que a água baixar completamente, por exemplo, os proprietários poderão localizar seus carros, que atualmente estão espalhados por toda a cidade, como em um “cemitério” de automóveis.

A rotina de estudos é outra atividade que a população local, sobretudo algumas escolas particulares da capital, visa retomar desde a semana passada. Instituições de ensino superior planejam dar prosseguimento ao período letivo, pelo menos de modo on-line, nesta semana.

Um ponto crítico é que escolas que serviram de abrigo agora precisam destinar os acolhidos para novos locais, ainda sem definição. Segundo um voluntário que prefere não se identificar, existe pressão, por parte dos pais, para que as escolas não sirvam de apoio concomitantemente às aulas.

Ainda há o problema de muitos que perderam tudo – inclusive suas casas – com as chuvas. A reportagem passou por locais entre Canoas e a BR-101, onde barracos foram erguidos para abrigar as famílias daqueles que ficaram sem residência.

O comércio começa a voltar

No setor de serviços, a necessidade de gerar renda foi decisiva para definir o momento de retorno.

Cláudia Garcia, proprietária do Studio 763, na Cidade Baixa, conta que, embora o local não tenha sido diretamente atingido pelo nível do Guaíba, as ruas adjacentes ao salão de beleza ficaram alagadas, o que deixou o local sem energia, sem água e sem acesso.

Assim, após quase 10 dias com as portas fechadas, a proprietária decidiu reabrir na quinta-feira passada e se surpreendeu.

Momento de retorno e limpeza para os gaúchos

Quem atuou na linha de frente conta que, nas duas fases iniciais, a prioridade era tirar as pessoas das casas alagadas e colocá-las nos abrigos. Agora, com a redução do nível das águas, é o momento de retorno e limpeza.

As autoridades recomendam que o lixo retirado de casa seja colocado na rua, até que o Departamento Metropolitano de Limpeza Urbana recolha, mas é preciso esperar que a água baixe mais.
Metrópoles

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