
O dólar disparou 1,81% nesta quarta-feira (27/11) e fechou cotado a R$ 5,913, o maior valor nominal da história. O recorde anterior era de R$ 5,905, atingido em 13 de maio de 2020, no estouro da pandemia de Covid-19.
A máxima nominal histórica desconsidera a inflação do cálculo.
O movimento no câmbio foi em reação à notícia de que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, vai fazer um pronunciamento em cadeia nacional para anunciar a elevação da faixa de isenção da tabela do IRPF (Imposto de Renda da Pessoa Física) para R$ 5.000.
Na transmissão, prevista para ir ao ar às 20h30, Haddad também deve explicar o pacote de corte de gastos que vem sendo costurado pela Fazenda nas últimas semanas.
A notícia, veiculada às 13h45, fez efeito imediato no dólar. Então cotada a R$ 5,83, com o mercado à espera das medidas fiscais, a moeda norte-americana foi a R$ 5,90 em poucos minutos. Na máxima da sessão, às 15h50, chegou a R$ 5,929.
Já a Bolsa, em pregão estendido por causa do horário de verão dos Estados Unidos, despencava 1,44% às 17h, aos 128.042 pontos.
O aumento da faixa de isenção, confirmado pela Folha, é defendido por integrantes do governo como contraponto político a medidas do pacote que atingirão benefícios sociais.
Interlocutores da equipe econômica apostam na medida como uma maneira de aplacar o impacto negativo do pacote sobre quem recebe o salário mínimo.
A espera pelo pacote fiscal completa um mês nesta semana. Prometidas para depois das eleições municipais, findadas em 27 de outubro, as medidas —e a expectativa prolongada— têm pautado os ânimos dos investidores.
A notícia envolvendo o IR, para o mercado financeiro, “demonstra falta de comprometimento do governo com a situação fiscal do país”, diz Thiago Avallone, especialista em câmbio da Manchester Investimentos.
Folhapress





