
Integrantes da cúpula da Petrobras afirmam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi induzido a erro pelo Ministério de Minas e Energia, comandado por Alexandre Silveira, ao avalizar a retenção dos dividendos extraordinários da Petrobras.
O episódio levou a uma nova crise na Petrobras, com ações despencando, e a mais um capítulo de briga nas entranhas do governo. A disputa se concentra, sobretudo, entre Jean Paul Prates e Silveira, com Fernando Haddad (Fazenda) do lado do presidente da Petrobras e Rui Costa (Casa Civil), do outro.
Em meio ao impasse, Lula marcou reunião para esta segunda-feira (11/3) com os quatro para ouvir seus argumentos e decidir se mantém a reserva de dividendos ou concorda com a sua distribuição parcial.
Aliados do presidente Lula dizem que o Planalto voltou a avaliar se a distribuição de metade dos dividendos afeta o plano de investimentos da estatal. A cúpula do Ministério de Minas e Energia defende que sim. Já a diretoria da Petrobras diz que não.
Ainda segundo aliados do presidente, Lula pode reavaliar a retenção dos dividendos extraordinários caso convencido por Prates que a distribuição não afeta o plano de investimentos da Petrobras. Neste caso, o presidente da companhia, que está muito pressionado, ganharia sobrevida.
A diretoria financeira da Petrobras apresentará seus argumentos ao conselho administrativo, que votou pela retenção. Se convencidos, seus membros poderiam rever seus votos –o que seria incomum, teria de ser justificado e poderia trazer desgaste aos membros do colegiado.
Aliados de Lula afirmam, porém, que esse desgaste não seria comparável ao impacto que a decisão provocou no mercado.
Na segunda hipótese, o presidente manterá a reserva do dinheiro se prevalecer a tese de que sua distribuição abala o plano de investimentos.
A crise escalou de tal forma que aliados de Lula no Planalto dizem que Prates ficou fragilizado e não descartavam até mesmo uma eventual demissão.
Folhapress





