17/09/2026

Caso Marielle: deputado federal Chiquinho Brazão é citado em delação premiada


O ex-policial militar Ronnie Lessa, preso por matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, citou o nome do deputado federal Chiquinho Brazão (União) em sua delação premiada, homologada nesta terça-feira (19/3) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Por essa razão que o caso começou a ser analisado pela Suprema Corte, pois o parlamentar tem foro privilegiado.

Segundo o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, a delação premiada de Ronnie é um meio de obter provas e elementos importantes sobre o assassinato da vereadora. O crime aconteceu em março de 2018 e completou seis anos neste mês, mas até o momento não há informações sobre quem seria o mandante.

Na delação, Lessa mencionou o nome de Chiquinho relacionando a um suposto envolvimento do deputado no crime. No ano do assassinato, Brazão, que também era vereador do Rio, assim como Marielle, prestou depoimento na Delegacia de Homicídio da Capital (DHC) junto com outros parlamentares.

Uma das principais linhas de investigação sobre o caso está relacionada a uma disputa por terrenos na Zona Oeste . Em depoimento, Lessa teria informado que Marielle virou alvo depois de defender a ocupação de terrenos por pessoas de baixa renda e que o processo fosse acompanhado por órgãos como o Instituto de Terras e Cartografia do Estado do Rio e o Núcleo de Terra e Habitação, da Defensoria Pública do Rio.

O mandante do crime estaria buscando a regularização de um condomínio em Jacarepaguá sem considerar o critério de área de interesse social. O objetivo seria transformar a propriedade em especulação imobiliária. No ano do assassinato, a hipótese do crime ter acontecido por disputas de terra já era considerada, pois a investigação analisava a possibilidade de milicianos estarem incomodados com a chance de Marielle Franco atrapalhar os negócios ligados à grilagem de terras.

Por meio de nota, a assessoria do deputado contou que Brazão foi surpreendido com as especulações que buscam o envolver no crime e que a citação causa estranheza, pois o seu nome surgiu após meses de tramitação da delação. Segundo o posicionamento, Brazão tinha um convívio com Marielle amistoso e cordial, sem espaço para desavenças. O deputado se colocou à disposição das autoridades para esclarecimentos.
O Dia

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