
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), sinalizou nesta terça-feira (20/5) que não dará sequência ao projeto de anistia aos envolvidos com o 8 de Janeiro até ter em mãos um texto que possa ser aprovado sem ser sumariamente derrubado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Para o líder do PT na Casa, Lindbergh Farias (RJ), a medida enterra de vez a proposta.
“A posição do Hugo no colégio de líderes acaba definitivamente com essa novela enfadonha de anistia”, disse Lindbergh. Ao fim da reunião com o presidente da Câmara, os caciques relataram nos bastidores que uma minuta do projeto foi apresentada pelo PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro. O texto não teria agradado ao chefe da Casa, que pediu uma nova versão.
A ideia do PL é fazer uma anistia “ampla, geral e irrestrita” sobre o 8 de Janeiro, manifestação que resultou na invasão das sedes dos Três Poderes, em Brasília, pedindo intervenção militar e deposição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), recém-empossado.
O ex-presidente está inelegível até 2030, por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por causa de uma reunião com embaixadores para denunciar sem provas supostas fraudes nas urnas eletrônicas e por abuso de poder em cerimônia pública alusiva à Independência do Brasil em 2022. A preocupação mais urgente de Bolsonaro, porém, é a ação penal que corre no Supremo Tribunal Federal (STF) por causa do seu suposto envolvimento na tentativa de golpe.
Apesar da postura de Motta, a anistia divide a Câmara. A oposição conseguiu a assinatura da maioria dos deputados para pedir a urgência do projeto de anistia, mas não conseguiu convencer Motta ou os líderes da Casa. A cúpula do Congresso vê o tema com receio, pois teme gerar um racha no Legislativo e – a cereja do bolo – criar uma nova disputa com o STF, que recentemente impôs aos parlamentares um longo período de seca de emendas.
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