
Quase uma semana após a desocupação do Morro do Fórum, em Ubatuba, 214 moradores retirados da área de risco são abrigadas de maneira improvisada em um ginásio esportivo, conhecido como Tubão.
As famílias reclamam de calor e estrutura precária no local. Barracas e colchões estão espalhados pelo ginásio. Não há tomadas, para carregar celular ou ligar ventiladores, por exemplo. A estrutura conta com dois banheiros, sendo um masculino e um feminino.
“Aqui é muito difícil. Toda hora tem alguém chorando, surtando, falando que não aguenta mais. Nunca imaginei que eu, grávida, e com meu outro filho autista, ia estar aqui neste lugar porque eu construí minha casinha, eu morava lá. Era apenas um barraquinho de madeira, mas eu era feliz”, afirma Raquel de Moraes, que está grávida.
Raquel é uma das pessoas que na última terça-feira (28/11), teve que sair de casa após determinação da Justiça, e agora espera a liberação do auxílio moradia – um valor de R$ 1.320 que será pago com recursos do município – para deixar o ginásio.
“Na minha casa eu tinha as roupas do meu filho, que agora estão em sacolinhas, tudo bagunçado. Na minha casa eu podia ter o berço, a banheira, o carrinho; aqui não me deixaram trazer nada, minhas coisas estão jogadas no Centro de Convenções”, disse Raquel, que relatou ter recebido a oferta para ficar em uma pousada, mas questionou o que teria em seu futuro após o nascimento do filho.
A prefeitura diz que o grupo tem recebido alimentação integral, com café da manhã, lanche, almoço, café da tarde e janta. Também é oferecido recreação com brinquedos educativos para as crianças e atendimento com assistentes sociais, psicólogos e profissionais da saúde.
Porém, os moradores reclamaram das condições em que o local se encontra, sobretudo do forte calor e da falta de ventilação. Houve relatos de distribuição de comidas estragadas e de dificuldades para uso do banheiro.
“Chegamos aqui e não tinha chuveiros, não tinha colchões, não tinham preparo para a gente. Destruíram a nossa dignidade, colocaram a gente aqui numa forma desumana. É absurdo o que eles fizeram, inaceitável”, disse a moradora Mariana Apolinário.
Além das dificuldades estruturais, as pessoas enfrentam questões psicológicas e temem que a prefeitura não realize o pagamento prometido para deixarem o local.
“Eles precisam dar uma garantia que isso vai acontecer (aluguel social), pois falar todo mundo fala. Eles destruíram nossa casa, nossa dignidade, acabaram com o nosso emocional. Está todo mundo aqui destruído psicologicamente. A gente precisa de uma garantia deles, é inaceitável deixar a gente assim”, disse Mariana.
De acordo com a Secretaria de Assistencial Social ainda não é possível estipular o tempo que as pessoas poderão permanecer no ginásio, visto que é necessário aguardar a finalização da avaliação social das famílias, conforme requisitos legais.
A prefeitura explicou ainda que ventiladores para o local é uma demanda emergencial e novos aparelhos serão providenciados. Defendeu ainda que presta atendimento médico e psicológico aos moradores.
“Estamos fornecendo atendimento médico, temos ali uma ambulância 24 horas praticamente ao lado deles, justamente para atendimento emergencial. Temos psicólogo atendendo a eles, temos assistência social e nossa equipe que está trabalhando no local justamente em prol de qualquer eventualidade que possa ocorrer”, explicou Ronaldo de Andrade, Secretário de Assuntos Jurídicos.
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