17/09/2026

Brasil tem 433 mil pessoas com mais de US$ 1 milhão. E nova geração de ricaços herdará US$ 9 tri

No Brasil, 433 mil pessoas são milionárias em dólar, ou seja, têm fortuna superior a US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,5 milhões). É o que constatou relatório anual do banco suíço UBS, especializado na gestão do patrimônio de alta renda. O número de pessoas neste grupo seleto cresceu 1,6% no país, mostra o estudo.

De longe, o país que tem o maior número de milionários no mundo é os Estados Unidos, onde estão 40% dos endinheirados. O Brasil ficou na 19º posição, mas lidera entre as nações da América Latina. Confira os principais países no ranking:

1. Estados Unidos: 23.831
2. China: 6.327
3. França: 2.897
4. Japão: 2.732
5. Alemanha: 2.675
6. Reino Unido: 2.624
7. Canadá: 2.098
8. Austrália: 1.904
9. Itália: 1.344
10. Coreia do Sul: 1.301
11. Holanda: 1.267
12. Espanha: 1.202
13. Suíça: 1.119
14. Índia: 917
15. Taiwan: 759
16. Hong Kong: 647
17. Bélgica: 549
18. Suécia: 490
19. Brasil: 433
20. Rússia: 426
21. México: 399
22. Dinamarca: 376
23. Noruega: 348
24. Arábia Saudita: 339
25. Cingapura: 331

O relatório do UBS investigou, ao todo, 56 países de várias regiões do mundo, e constatou que, de 2023 para 2024, o patrimônio líquido de famílias aumentou 4,6% em todo o mundo.

O estudo também chama a atenção para a enorme transferência de riqueza entre gerações — e mesmo entre membros de uma família que são da mesma geração — prevista para ocorrer nos próximos anos.

US$ 74 trilhões em heranças

O UBS estima uma transferência global total de riqueza superior a US$ 83 trilhões nos próximos 20 a 25 anos. Deste total, cerca de US$ 9 trilhões corresponderão a transferências horizontais, ou seja, entre indivíduos da mesma geração, como cônjuges após a morte do marido ou mulher. E mais de US$ 74 trilhões serão transferências verticais, entre gerações.

Brasil é o 2º país com maior fortuna a ser herdada

Espera-se que o maior volume de transferências de riqueza ocorra nos Estados Unidos, com larga vantagem, superando US$ 29 trilhões ao longo das próximas décadas.

O Brasil ocupa o segundo lugar no ranking, com cerca de US$ 9 trilhões, à frente da China, que apresenta mais de US$ 5,6 trilhões de dólares a serem transferidos. Um dos principais motivos por trás dessa projeção para o Brasil é sua grande população com mais de 75 anos.

Nos EUA, mil milionários por dia

A riqueza cresceu de forma desproporcionalmente rápida no ano passado nos Estados Unidos, onde mais de 379.000 pessoas se tornaram novas milionárias em dólares americanos no ano passado — mais de mil por dia —, segundo o relatório.

Os ‘milionários comuns’

O estudo do UBS também destacou a ascensão de um grupo batizado pelo banco de “milionários comuns”. São ricos, mas não tão ricos assim. A fortuna desses indivíduos supera US$ 1 milhão, mas não chega a US$ 5 milhões.

O total de pessoas neste grupo mais do que quadruplicou desde 2000, chegando a 52 milhões de indivíduos. E esse número está disparando. No início do milênio, havia apenas 13,27 milhões de pessoas nesse grupo e, em 2019, já eram cerca de 44 milhões no mundo todo. Segundo o relatório, o aumento desse grupo foi impulsionado principalmente pela valorização imobiliária e por efeitos cambiais.

Juntos, esses indivíduos têm patrimônio total de US$ 107 trilhões — mais de quatro vezes o que detinham no ano 2000. Assim, o grupo dos “milionários comuns” já soma riqueza próxima à detida pelo topo da pirâmide — os milionários com mais de US$ 5 milhões no bolso têm, juntos, fortuna de US$ 119 trilhões.

Na desigualdade, Brasil à frente

Apesar do crescimento avançado da riqueza, o relatório também mapeou a disparidade de renda nos países. E, na lista, o Brasil é o mais desigual, ou seja, com maior concentração de renda no topo da pirâmide. Ao lado da Rússia, é a economia menos igualitária.

A análise se baseou no coeficiente de Gini, que mede a desigualdade de renda numa escala de 0 a 1, sendo 0 a igualdade absoluta.

Confira, abaixo o ranking da desigualdade pelo Índice de Gini (quanto mais perto de 1, maior a concentração de renda):

1. Brasil: 0,82
2. Rússia: 0,82
3. África do Sul: 0,81
4. Emirados Árabes Unidos: 0,81
5. Arábia Saudita: 0,78
6. Suécia: 0,75
7. Estados Unidos: 0,74
8. Índia: 0,74
9. Turquia: 0,73
10. México: 0,72
11. Cingapura: 0,70
12. Alemanha: 0,68
13. Suíça: 0,67
14. Israel: 0,66
15. Holanda: 0,65
16. Hong Kong: 0,63
17. China: 0,62
18. Portugal: 0,61
19. Grécia: 0,60
20. Taiwan: 0,60
21. França: 0,59
22. Reino Unido: 0,58
23. Coreia do Sul: 0,57
24. Polônia: 0,57
25. Itália: 0,57
26. Espanha: 0,56
27. Austrália: 0,55
28. Luxemburgo: 0,55
29. Japão: 0,54
30. Catar: 0,47
31. Bélgica: 0,47
O Globo

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