17/09/2026

Bolsonaro tenta falar inglês em ato, imita slogan de Trump e pede apoio ‘não interessa onde eu esteja’


O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tentou novamente falar inglês em um discurso de apelo internacional durante ato deste domingo (29/6) na avenida Paulista, em São Paulo.

“Make Brazil great again”, disse Bolsonaro ao fazer referência ao bordão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A declaração foi dada após provocação do deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO), que afirmou que seguiria o exemplo do ex-presidente para falar com pessoas que assistiam fora do país à manifestação contra o avanço do julgamento da trama golpista no STF (Supremo Tribunal Federal).

“Seguindo seu exemplo do ‘popcorn’ e icecream’”, disse Gayer em referência à fala do ato de 6 de abril no mesmo local, quando foi interrompido por Bolsonaro, que emendou um “I don’t speak english” (“eu não falo inglês”).

No ato anterior, em abril, Bolsonaro havia dito: “Popcorn and ice cream sellers sentenced for coup in Brasil’. Ou seja, “sorveteiro e pipoqueiro condenados por golpe de Estado no Brasil”, e o discurso viralizou.

Gayer, que também colocou para tocar nos alto-falantes áudios de ministros do Supremo, afirmou que o sistema judiciário brasileiro “é o maior risco para nossa democracia”.

DISCURSO

Bolsonaro foi o último a discursar. Em pouco menos de meia hora de fala, ele voltou a se defender das acusações de golpe de Estado e afirmou que a transição de governo, em 2022, tinha sido elogiada pelo atual vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB).

O ex-presidente também repetiu um apelo por “pacificação” no país e voltou a citar teses conspiratórias que havia deixado de lado, como a que o 8 de Janeiro ocorreu por infiltrados de esquerda.

“Eu apelo aos três Poderes da República: sentem, conversem, pacifiquem o Brasil. Liberdade aos inocentes do 8 de janeiro. Julgar e prender de baciada não existe no nosso ordenamento jurídico.”

Ao longo de seu discurso, exaltou feitos de seu governo e falou que é necessário se preocupar com as eleições de 2026. Mais uma vez, ele afirmou que mudará o destino do país se tiver “50% da Câmara e 50% do Senado”, mas citou indiretamente a hipótese de não voltar a Presidência: “Não interessa onde eu esteja ou a covardia que façam comigo, o objetivo não é prender, é eliminar.”

“Se vocês me derem isso [maioria de deputados e senadores], não interessa onde eu esteja, aqui ou no além, quem assumir a liderança vai mandar mais do que o presidente da República”, declarou.

Um dos objetivos dos aliados de Bolsonaro é conquistar a maioria de vagas no Senado para conseguir aprovar o impeachment de um ministro do STF. No próximo ano, serão abertas duas cadeiras por estado na casa legislativa.

Em meio a especulações sobre quem ele pode apoiar para se candidatar à Presidência, já que está inelegível pelo menos até 2030, Bolsonaro afirmou que não era momento de tratar do assunto. “Aqui não é carro para comício. É um carro para nós dizermos a verdade”, disse.

“Nem eu preciso ser presidente. O Valdemar me mantendo presidente do partido de honra do PL, conseguimos fazer isso com vocês”, disse. Ao seu lado estavam dois dos cotados a presidenciáveis, os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Romeu Zema (Novo-MG).

Visto como um dos favoritos a sair candidato à Presidência, apesar de negar publicamente que tentaria algo que não a reeleição em São Paulo, Tarcísio subiu o tom em seu discurso e fez uma série de críticas ao governo Lula, pedindo “fora PT”. O governador também falou pela primeira vez em anistia, ainda que rapidamente.

“A gente está aqui para pedir justiça, pedir anistia, pedir a pacificação”, disse o governador.

Filho mais velho do ex-presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) colocou o indulto como uma condição para o apoio do pai em 2026.

Bolsonaro foi condenado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) por ataques e mentiras sobre o sistema eleitoral é réu no STF sob a acusação de ter liderado a trama golpista de 2022.

Caso seja condenado pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio público e deterioração do patrimônio tombado, a pena pode passar de 40 anos de prisão.
Folhapress

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