17/09/2026

BC reduz Selic em 0,5 ponto, a 12,75%, e reforça importância de cumprir meta fiscal

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central seguiu a estratégia anunciada no encontro anterior e reduziu em decisão unânime nesta quarta-feira (20/9) a taxa básica de juros (Selic) em 0,5 ponto percentual, de 13,25% para 12,75% ao ano.

O Copom voltou a mencionar a questão fiscal em seu comunicado, reforçando a importância de o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cumprir as metas estabelecidas. No encontro de agosto, o risco fiscal tinha sido retirado do comunicado pela primeira vez em mais de três anos.

“Tendo em conta a importância da execução das metas fiscais já estabelecidas para a ancoragem das expectativas de inflação e, consequentemente, para a condução da política monetária, o Comitê reforça a importância da firme persecução dessas metas”, disse.

A equipe econômica tem como objetivo zerar o déficit primário já no ano que vem –meta considerada ambiciosa por economistas e vista com ceticismo até por membros do próprio governo, incluindo ministros, técnicos e congressistas.

O colegiado do BC antecipou que a prevê novos cortes na mesma intensidade –ou seja, de 0,5 ponto percentual– nas reuniões seguintes e disse que esse é o “ritmo apropriado para manter a política monetária contracionista necessária para o processo desinflacionário”.

Esse foi o segundo corte consecutivo promovido pelo colegiado do BC, que levou os juros ao menor nível em 16 meses. Em maio de 2022, a Selic estava em 11,75% ao ano.

A autoridade monetária iniciou o processo de flexibilização de juros em agosto, em uma decisão com placar apertado (5 a 4), na estreia dos primeiros diretores indicados pelo governo Lula (PT) –Gabriel Galípolo (Política Monetária) e Ailton Aquino (Fiscalização).

O ciclo de cortes começou depois de o Copom ter mantido a Selic parada no patamar de 13,75% por um ano, a contragosto do presidente Lula, que disparou uma série de críticas à atuação do BC e fez pressão pela redução dos juros.

A decisão do Copom veio em linha com a projeção consensual do mercado financeiro. Levantamento feito pela Bloomberg mostrou que o corte de 0,5 ponto percentual na taxa básica era a expectativa unânime entre os economistas consultados, com base na sinalização feita pelo próprio BC.

Diante de uma expectativa do mercado financeiro por uma aceleração do ritmo de cortes de juros, o Copom falou em “serenidade e moderação”.

“A conjuntura atual, caracterizada por um estágio do processo desinflacionário que tende a ser mais lento e por expectativas de inflação com reancoragem parcial [em direção às metas], demanda serenidade e moderação na condução da política monetária”, afirmou.
Folhapress

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